O novo ENEM.

Atualizado em: terça-feira, 06 de setembro de 2011 10:55


O que é?

 

O novo formato do ENEM contempla a realização de provas por habilidades, são elas: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (incluindo redação); Ciências Humanas e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias, e Matemática e suas tecnologias. A nova proposta, portanto, não abandona a ideia de questões contextualizadas, as quais exigem do aluno a aplicação prática do conhecimento e não a mera memorização de informações.


Como estudar para o ENEM?


Cada questão do ENEM é um problema a ser resolvido. A única maneira de aprender a resolver problemas é tentando resolvê-los. Dessa forma, sugerimos que você, como aluno, não fique passivo frente ao conhecimento. É necessário que você, ao assistir a uma aula, esteja em constante diálogo entre o que está aprendendo e onde esse novo conhecimento pode ser aplicado.
Procure seguir a seguinte metodologia:
a) Para cada questão objetiva, tampe as alternativas, leia o enunciado e tente escrever uma resposta pessoal.
b) Após terminar de redigir, procure, nas alternativas, se há algo parecido com o que você escreveu. Essa será a sua resposta a ser assinalada. Caso não haja, procure uma alternativa que, mesmo não sendo o que você escreveu, pode ser a resposta correta. Às vezes,isso acontece mesmo. Alguns problemas admitem várias respostas corretas. Você pode ter chegado a uma resposta e a questão ter trabalhado com outra.
c) Verifique, então, a resposta correta e veja se você acertou. Em qualquer um dos casos, leia a resolução da questão e tente encontrar pontos de convergência e de divergência. Anote o que não ficou claro e procure seus professores. Com todo esse material produzido e analisado, você estará mais apto a fazer o ENEM a cada dia de estudo.
A partir de 2009, em função da ampliação das possibilidades de utilização do ENEM como certificação de competências para jovens e adultos e como alternativa ao vestibular, houve uma profunda alteração na matriz de competências.
A matriz continuou com os cinco eixos cognitivos, mas agregou competências específicas para cada grande área e ampliou para 120 o número de habilidades.


Matriz de Referência
 

pdf Matriz de Referência do ENEM.pdf
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Quais são os eixos cognitivos?
Para que haja uma melhor organização das escolas, dos estudantes e da própria análise de resultados do ENEM, há 5 grandes competências, agora chamadas de eixos cognitivos, que norteiam todas as questões relativas à prova. Esses eixos não se alteraram de forma significativa mesmo tendo o ENEM passado por modificações ao longo do tempo.
É importante que todos os que estão ligados direta ou indiretamente ao ENEM saibam quais são esses eixos. Eles são, na verdade, uma síntese de quais são as qualificações que um sujeito deve possuir ao sair da Educação Básica. A seguir, mostramos quais são os eixos cognitivos do ENEM com alguns comentários:

A) Dominar Linguagens:
Essa competência é muito ampla, pois está associada ao domínio da norma culta da língua portuguesa, das linguagens matemática, científica, artística e das línguas espanhola e inglesa. O domínio de linguagens, como qualquer competência, não é algo que se consiga a partir de um único conceito ou de uma única atividade. Pelo contrário, exige tempo de maturação das estruturas de cada sujeito e se dá por meio da utilização consciente das diversas linguagens. A linguagem é responsável por organizar o pensamento.
Além disso, dominar linguagens é, também, saber adequar o que se fala ao público que está ouvindo. Dessa forma, de nada adianta possuir amplo domínio das normas gramaticais da Língua Portuguesa, se o sujeito não é capaz de se fazer entender por utilizar palavras desconhecidas do grande público.
Outro exemplo interessante pode ser extraído nas ciências da natureza. Quando falamos “hoje está calor” em uma conversa informal, as pessoas entendem o que queremos dizer. No entanto, no campo da Física, a expressão citada está completamente incorreta, uma vez que calor é o trânsito de energia entre dois sistemas. Uma pessoa que domina a linguagem científica deve ser capaz de entender, entre outras coisas, os diversos campos de validade da palavra “calor” e transitar entre eles sem dificuldade. Note: é tão inconveniente dizer “hoje está calor” em uma aula de Física quanto dizer “hoje a energia cinética média das moléculas do ar está muito elevada” em uma conversa cotidiana.

B) Compreender fenômenos:
A compreensão de fenômenos dá-se, normalmente, por sucessivas aproximações. Veja um exemplo ligado à movimentação da Terra em torno do Sol e suas conseqüências. Não se pretende que uma criança na primeira fase do Ensino Fundamental compreenda esse fenômeno de forma completa e consiga descrever todas as suas implicações. É́ possível, no entanto, que a ideia já seja apresentada e, conforme o sujeito vai se desenvolvendo, novos elementos vão sendo incorporados, no sentido de uma compreensão mais geral sobre o tema.
Compreender fenômenos é, portanto, uma questão complexa que está associada às mais diversas áreas do saber. Os fenômenos podem ser de ordem científica, social, econômica, etc. Mas exigem certas estruturas para sua compreensão.
 

C) Resolver situações-problema:
O objetivo da aprendizagem é tornar os sujeitos capazes de enfrentar e resolver, de forma original e autônoma, os problemas que lhes são apresentados. Dessa forma, esse eixo cognitivo está claramente orientado para a mais importante das finalidades da educação escolar.
Quando, na escola, um dado estudante necessita memorizar os símbolos dos elementos químicos, por exemplo, e a ordem de tais elementos da Tabela Periódica, sem que isso esteja ligado à solução de qualquer situação-problema, está-se indo contra a diretriz ditada por esse eixo.
Em outras palavras, é necessário que os conteúdos escolares possam estar a serviço do desenvolvimento das habilidades e não sejam, apenas, um fim em si mesmos. Somente deve ser trabalhado em sala aquilo que será útil para auxiliar os estudantes no enfrentamento e na solução dos problemas que eles enfrentarão na escola e, principalmente, fora dela.
 

D) Construir argumentações:
Diante de uma situação concreta de solução de problemas, que pode ser, por exemplo, um debate sobre a destinação de recursos do orçamento de um condomínio, será necessário que uma pessoa organize seus conhecimentos e apresente suas ideias de forma clara, sucinta e com poder de persuasão. A construção de argumentação é, por si só, uma atividade interdisciplinar, pois exige a coordenação de diversas ideias a serviço de um determinado fim.
É evidente que exige que a pessoa tenha desenvolvido um repertório razoável de conhecimentos. Mas somente os conhecimentos não são suficientes para garantir que a construção de argumentação seja feita de maneira satisfatória. É preciso, pois, que a pessoa desenvolva a capacidade de mobilizar seus conhecimentos, torná-los operacionais e saiba apresentá-los de forma lógica e coerente.

E) Elaborar propostas:
Diante de uma realidade apresentada, por exemplo, a situação da corrupção que existe em algumas esferas da política nacional, o sujeito deve ser capaz de compreender essa realidade e propor ações capazes de reverter o quadro desagradável. Nessa elaboração, deve-se fugir do senso comum e levar em conta os direitos humanos, preservar a natureza e não ofender a pátria.
Assim, elaborar uma proposta de intervenção solidária na realidade não é uma tarefa simples, pois exige a articulação entre diversos saberes, inclusive saberes que não fazem parte do currículo padrão das escolas, mas que funcionam como temas transversais, como a Ética, por exemplo.


Redação

A proposta para a redação do Enem tem sido sempre elaborada de forma a possibilitar que os participantes, a partir de subsídios oferecidos, realizem uma reflexão escrita sobre um tema de ordem política, social, cultural ou científica, em uma tarefa identificada como uma situação-problema.
O comando da redação indica as linhas mestras para a elaboração do texto a ser escrito pelo participante e os referenciais a serem utilizados pelos avaliadores para a correção das cinco competências do Enem.

 

Metodologia e Critério de Correção
Os critérios de avaliação da redação têm por referência as cinco competências da Matriz do Enem, transpostas para produção de texto escrito com base em uma situação-problema (proposta de Redação) e desdobradas, cada uma, em quatro níveis (critérios de avaliação da competência).
Cada competência é avaliada sob quatro critérios, correspondentes aos conceitos: insuficiente, regular, bom e excelente, respectivamente representados pelos níveis 1, 2, 3 e 4, associados às notas 2,5 - 5,0 - 7,5 - 10,0.
A nota global da redação é dada pela média aritmética simples das notas atribuídas a cada uma das cinco competências.
A redação que não atende à proposta recebe o conceito D – desconsiderada. Quando é apresentada em branco ou com até sete linhas escritas, recebe o conceito B – em branco. Finalmente, quando a redação é apresentada com palavrões, desenhos ou outras formas propositais de anulação, recebe o conceito N – anulada.

(Fonte: http://www.publicacoes.inep.gov.br/arquivos/rp_2002_4_339.pdf)


Arquivos do ENEM virtual:

Análise dos Resultados

Uma das grandes diferenças entre o ENEM e os vestibulares tradicionais é a forma de análise de resultados. Nos vestibulares, cada questão que o sujeito acerta é computada como um ponto para ele, independentemente de ser essa questão fácil, média ou difícil.
No caso do ENEM, há a utilização da Teoria de Resposta ao Item (TRI), que faz um mapeamento do padrão de respostas de cada pessoa e atribui uma pontuação diferenciada em função do grau de dificuldade de cada questão. Dessa forma, duas pessoas podem acertar o mesmo número de questões e terem resultados finais bem distintos. A TRI consegue, ainda, verificar se o padrão de acertos do sujeito foi aleatório e, com isso, valorizar menos os acertos.
Quando é feita a consolidação dos resultados, o ENEM divulga cinco notas para cada pessoa, sendo uma nota para cada grande área (Linguagens e Códigos, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas) e uma nota para a Redação.
É construída uma escala de análise após a correção das provas. Nessa escala, as notas mínima e máxima são variáveis de edição para edição e dependem do desempenho dos sujeitos. A média global verificada nos concluintes do Ensino Médio de 2009 foi 500. Dessa forma, quanto mais próximo de 500 for a nota de uma dada pessoa, mais próxima da média nacional essa pessoa estará. Se a nota ficar abaixo de 500, o sujeito ficou abaixo da média nacional.

Os dados a seguir foram calculados com base na edição de 2009 do ENEM.
Na prova de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, a análise TRI apontou que a menor média de proficiência observada foi 263,3. Esse número representa o início da escala para essa área, ou seja, o nível mais baixo de proficiência possível de mensuração pelas questões da prova. A maior proficiência foi 903,2. Para Ciências Humanas e suas Tecnologias, as notas variam entre 300,0 e 887,0. Para a área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, as médias ficam entre 224,3 e 835,6. No caso de Matemática e suas Tecnologias, as notas vão de 345,9 a 985,1.


Como as universidades podem utilizar o ENEM?

 

As universidades brasileiras, por força da nossa Constituição Federal, gozam de autonomia didático-pedagógica. Isso significa dizer que elas possuem total autonomia para gerenciar seus processos de admissão e a organização interna de seus cursos. Portanto, o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação (MEC), não pode obrigar uma determinada universidade a utilizar os resultados do ENEM.
No entanto, sabedor do impacto positivo que a substituição dos vestibulares pelo ENEM terá na educação nacional, o Exmo. Senhor Ministro de Estado da Educação, professor Fernando Haddad, promoveu, ao longo do ano de 2009, diversos encontros com reitores dos Institutos e das Universidades Federais, com vistas a convencê-los a adotar o ENEM como forma de seleção.
Nesses encontros, ficou acertado que uma universidade ou instituto federal poderia aderir ao ENEM por meio de quatro maneiras distintas, a saber:
a) Sistema de Seleção Unificada (SiSU): por meio desse sistema, a instituição abre mão de gerenciar o seu processo seletivo e delega ao MEC essa responsabilidade. A seleção é feita exclusivamente pela nota do ENEM. Só podem participar desse sistema as Universidades e os Institutos Federais. Eles devem indicar ao MEC quais são os cursos ofertados com os respectivos números de vagas, os critérios de seleção, pesos para as diversas áreas e as políticas afirmativas. Em período determinado pelo MEC, fica no ar o sistema (http://sisu.mec.gov.br), no qual a pessoa escolhe, dentre os cursos disponíveis, aqueles de sua preferência e verifica se a sua nota é suficiente para entrar. Esse sistema prevê duas chamadas mais uma “repescagem”. Quando todas as Universidades e Institutos Federais estiverem com suas vagas no SiSU, não haverá mais vestibular para essas instituições! Uma lista atualizada das instituições que aderiram ao SiSu pode ser obtida em http://sisu.mec.gov.br/vagas.html.
b) ENEM como primeira fase: nesse modelo, a Universidade ou Instituto utiliza as notas do ENEM apenas na primeira fase e realiza a segunda fase normalmente. Há duas possibilidades nesse modelo. A instituição não faz a primeira etapa e a nota do ENEM é a única seleção para a segunda etapa, ou há uma primeira fase e escolhe-se, entre esta e a nota do ENEM, a maior delas para a classificação à segunda etapa.
c) Média entre ENEM e primeira fase: a instituição de ensino realiza, obrigatoriamente, a primeira fase e faz uma composição desta nota com a do ENEM. Essa composição pode ser uma média simples, ponderada, etc.
d) Vagas remanescentes: o ENEM pode ser usado para preencher as vagas que sobraram após a realização do vestibular tradicional e a convocação de todos os candidatos possíveis.

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